Querida M.,
A tua mãe morreu. A esta hora, ela é uma sepultura branca, num pequeno cemitério alentejano.
Não existem palavras para verbalizar anos de conhecimento, de visitas e de partilha. E depois é este enorme vazio que não nos deixa falar e nos enrola os dedos e a cabeça.
Sábado estaremos juntas. Vou abraçar-te e vamos chorar o mundo.
quinta-feira, junho 10, 2010
segunda-feira, junho 07, 2010
Cartas a M. - VIII carta
Querida M.,
No fundo, isto é tudo uma pequena alucinação.
A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.
No fundo, isto é tudo uma pequena alucinação.
A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.A soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa.
quarta-feira, junho 02, 2010
O resultado do dia Mundial do Livro - 24 de Abril

"A escritora Inês Leitão veio à nossa escola no dia do escritor. Durante toda a semana andámos a ler e a conversar sobre o livro "Pitopeca em África- História de uma missão em Maputo" que fala da ida de uma menina, Pitopeca, para Moçambique onde foi ajudar os meninos doentes e deficientes que estavam no hospital das irmãs do Sagrado Coração de Jesus.
Estavamos todos muito ansiosos para fazer muitas perguntas à escritora Inês Leitão pois queriamos descobrir muitas coisas sobre a história e conhecer uma escritora famosa de livros.
Juntámo-nos todos no polivalente e ouvimos a história a ser contada pela própria escritora. Descobrimos que a escritora Inês esteve seis meses nesse hospital com as irmãs a cuidar dos meninos e que viveu muitas aventuras em África!"
sábado, maio 29, 2010
Cartas a M. - VII carta
Querida M.:
Ontem à tarde foi o funeral do Tio J.
Não, não erámos particularmente chegados, não tivemos uma relação especial, mas rimo-nos várias vezes juntos e a imagem que fica dele é a de um homem bom, um tio bonacheirão que fazia questão de pagar cafés, gelados, pastilhas e que no dia do casamento se sentiu feliz no meio de uma família grande que se erguia.
As filhas e a ex-mulher voavam como abutres sobre uma carniça frágil, morta, desprotegida, e era a sua mãe de 80 anos que protegia, em solo sagrado, o corpo morto da exposição aos animais.
Há, com certeza, uma relação privilegiada entre uma mãe e a pessoa que lhe cresce no corpo. E há, com uma certeza ainda maior, uma ferida de morte que se abre quando a própria morte leva a cria antes da progenitora.
A ideia que trazia sentada ao meu lado no carro era de que aquela mulher pequena podia perfeitamente ter entrado numa luta corpo a corpo com a morte, se isso significasse ter o seu filho de volta: fico com a clara impressão que podia ter sido ela a vencer.
E a tua mãe?
Pelo que sei vai-se aguentando. Estabilizou. Estabilizar é a palavra de ordem para os tempos que vão chegar.
Estabilizar. Para ti, para ela e muito curiosamente, para mim.
Ontem à tarde foi o funeral do Tio J.
Não, não erámos particularmente chegados, não tivemos uma relação especial, mas rimo-nos várias vezes juntos e a imagem que fica dele é a de um homem bom, um tio bonacheirão que fazia questão de pagar cafés, gelados, pastilhas e que no dia do casamento se sentiu feliz no meio de uma família grande que se erguia.
As filhas e a ex-mulher voavam como abutres sobre uma carniça frágil, morta, desprotegida, e era a sua mãe de 80 anos que protegia, em solo sagrado, o corpo morto da exposição aos animais.
Há, com certeza, uma relação privilegiada entre uma mãe e a pessoa que lhe cresce no corpo. E há, com uma certeza ainda maior, uma ferida de morte que se abre quando a própria morte leva a cria antes da progenitora.
A ideia que trazia sentada ao meu lado no carro era de que aquela mulher pequena podia perfeitamente ter entrado numa luta corpo a corpo com a morte, se isso significasse ter o seu filho de volta: fico com a clara impressão que podia ter sido ela a vencer.
E a tua mãe?
Pelo que sei vai-se aguentando. Estabilizou. Estabilizar é a palavra de ordem para os tempos que vão chegar.
Estabilizar. Para ti, para ela e muito curiosamente, para mim.
sábado, maio 15, 2010
Cartas a M. - VI carta
Querida M.,
Pouco sei de vocês.
A semana passada, antes de entrar em casa, estacionei e liguei-te. As coisas estabilizaram e isso deixa-nos felizes.
Isso deixa-nos felizes como quando vamos ver um bailado. O nosso corpo triste anda até à porta quando o espetáculo acaba e achamos que estamos felizes. Mas não estamos assim tão felizes, pois não? Nunca pensei muito nisto, mas os bailados sempre me deixaram triste a pensar que estaria feliz.
Mas tu e a tua mãe.
Não vos vejo há semanas e o fim do telefonema deixa-me assim: as pernas, as pernas angustiadas a caminharem depois de sairem do carro, a irem para casa.
Amanhã vou ver-te.
Pouco sei de vocês.
A semana passada, antes de entrar em casa, estacionei e liguei-te. As coisas estabilizaram e isso deixa-nos felizes.
Isso deixa-nos felizes como quando vamos ver um bailado. O nosso corpo triste anda até à porta quando o espetáculo acaba e achamos que estamos felizes. Mas não estamos assim tão felizes, pois não? Nunca pensei muito nisto, mas os bailados sempre me deixaram triste a pensar que estaria feliz.
Mas tu e a tua mãe.
Não vos vejo há semanas e o fim do telefonema deixa-me assim: as pernas, as pernas angustiadas a caminharem depois de sairem do carro, a irem para casa.
Amanhã vou ver-te.
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