"Para escrever ficção, uma mulher precisa de dinheiro e de um quarto que seja seu".
Still so true.
terça-feira, outubro 12, 2010
sábado, outubro 09, 2010
Cartas a M. - XVII
Querida M.,
O A. hoje encontrou-me aqui.
Ele já sabia - as pessoas vão sabendo- e abraçou-me com uma força estranha assim que me viu. Achei que me queria consolar, a minha intuição não me disse que aquilo não era para mim, que aquela força de braços não era para o meu corpo, era para o dele.
Contou-me que tem tentado sobreviver ao enterro de um bebé que a mulher ia ter. Passaram juntos o suplício do funeral de alguém que viveu com eles 6 meses numa barriga partilhada e bonita. Eu não vi aquela barriga crescer, nem tive oportunidade de conhecer a pessoa que lá estava dentro.E tenho pena. Mesmo.
Não sei o que se diz a alguém que perde um filho.
Os meus olhos engasgaram-se da mesma forma como quando soube que a tua mãe morreu; a minha garganta contraída de medo, sem nada para te dizer, e ao mesmo tempo a querer dizer-te tanto.
Cumprimentei a mulher do A. com a distância habitual mas apertei-lhe os dedos da mão com mais força na esperança que eles dissessem o que eu queria dizer: às vezes consigo que as minhas mãos falem por mim.
Reparei que tremia.
Convidaram-me para um chá. Eu aceitei.
O A. hoje encontrou-me aqui.
Ele já sabia - as pessoas vão sabendo- e abraçou-me com uma força estranha assim que me viu. Achei que me queria consolar, a minha intuição não me disse que aquilo não era para mim, que aquela força de braços não era para o meu corpo, era para o dele.
Contou-me que tem tentado sobreviver ao enterro de um bebé que a mulher ia ter. Passaram juntos o suplício do funeral de alguém que viveu com eles 6 meses numa barriga partilhada e bonita. Eu não vi aquela barriga crescer, nem tive oportunidade de conhecer a pessoa que lá estava dentro.E tenho pena. Mesmo.
Não sei o que se diz a alguém que perde um filho.
Os meus olhos engasgaram-se da mesma forma como quando soube que a tua mãe morreu; a minha garganta contraída de medo, sem nada para te dizer, e ao mesmo tempo a querer dizer-te tanto.
Cumprimentei a mulher do A. com a distância habitual mas apertei-lhe os dedos da mão com mais força na esperança que eles dissessem o que eu queria dizer: às vezes consigo que as minhas mãos falem por mim.
Reparei que tremia.
Convidaram-me para um chá. Eu aceitei.
quinta-feira, outubro 07, 2010
Cartas a M. - XVI carta
Querida M.,
É como tentar andar outra vez e eu não sabia. Esta é a hora de colar peças atrás de peças sem pedir ajuda a ninguém porque ninguém as saberá colocar no sítio certo como nós. Nós sabemos o sítio certo das nossas peças e os outros não. Só nós. É um segredo puro que se usa no corpo à laia de apêndicite ou pé partido.
Amanhã estaremos juntas. E eu tenho tanta coisa para te contar.
É como tentar andar outra vez e eu não sabia. Esta é a hora de colar peças atrás de peças sem pedir ajuda a ninguém porque ninguém as saberá colocar no sítio certo como nós. Nós sabemos o sítio certo das nossas peças e os outros não. Só nós. É um segredo puro que se usa no corpo à laia de apêndicite ou pé partido.
Amanhã estaremos juntas. E eu tenho tanta coisa para te contar.
sábado, setembro 25, 2010
quarta-feira, setembro 22, 2010
Tertúlias de Queluz com a escritora Inês Leitão

Dando início a mais um projecto para trazer os cidadãos a integrarem-se na sua freguesia, a funta de freguesia de Queluz vai iniciar um ciclo de pequenos encontros com algumas personalidades.
“Tertúlias de Queluz”, vão começar no dia 24 de Setembro pelas 21h na Sala Multiusos, Fernando Ribeiro Leitão.
Sala Multiusos Fernando Ribeiro Leitão
Rua dos Combatentes da Grande Guerra 40, R/C esq. - Queluz
Este primeiro encontro será uma conversa com a escritora Inês Leitão.
Quem é Inês Leitão?
Nasceu a 1 de Julho de 1981 em Lisboa. É licenciada em Estudos Anglo-Americanos na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e gosta de viajar. Teve a sua primeira publicação na revista Quase, em 2001. Seguiram-se colaborações em Os Fazedores de Letras durante o ano de 2003. Em Maio de 2004 cria na blogosfera o bocadosdecarnepelasparedesdoquarto (www.bocadosdecarne.blogspot.com) e em 2005 inicia a sua participação no blog Prazeres minúsculos. O seu primeiro livro, Quarto Escuro (Livrododia Editores, 2007), é uma colecção de micronarrativas que fala de pessoas, de sentimentos e de apegos; coisas que tanto podem viver no instante de uma paragem de metro, como no limite da parede de um quarto escuro. Mantém-se inédita a sua Trilogia da Obsessão da dor e do amor. Três peças de teatro que falam do sentido do amor no século XXI: Quem tramou António Lobo Antunes, A última história de Werther e Amor em estado morto. Foi a mais jovem participante do Correntes d´Escrita 2007.
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