segunda-feira, outubro 12, 2009

Quem mais chora neste vale de lágrimas, senão os justos?

(texto dedicado à menina P. e às nossas estadias no Picoas Plaza)

Eu não chorei no dia em que a minha mãe morreu.Eu não chorei no dia em que a minha mãe morreu.Eu não chorei no dia em que a minha mãe morreu.Eu não chorei no dia em que a minha mãe morreu.Eu não chorei no dia em que a minha mãe morreu.Eu não chorei no dia em que a minha mãe morreu.Eu não chorei no dia em que a minha mãe morreu.Eu não chorei no dia em que a minha mãe morreu.Eu não chorei no dia em que a minha mãe morreu.Eu não chorei no dia em que a minha mãe morreu.Eu não chorei no dia em que a minha mãe morreu.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Será que ainda falas com ele como fazias antes de sermos velhos?




Tínhamos 18 anos e gostávamos tanto do corpo um do outro que tínhamos vontade de nos coser juntos em qualquer parte
- às escondidas da tua família, no meu quarto, atrás da igreja, num qualquer ermo de fácil acesso que nos permitisse intimidade: dormíamos juntos pelas pontas dos dedos

um beijo nosso durava 3 minutos e 47 segundos
(3 minutos e 47 segundos de uma língua que aconchega e transpira a outra)
e os olhos das pessoas sentadas no autocarro aguardavam a nossa morte por asfixia.
Vivemos escondidos da tua família. Ali éramos unicamente o nosso corpo e o nosso coração cosidos porque tínhamos 18 anos e sabíamos tão pouco do que viria a seguir.

Hoje vi-te mais velho: continuas alto e bonito. Trazias um livro que não era o dele. Lias. Questiono-me se ainda se falam ou se ele ainda te aparece como antes.
Gostei de te ver. És um homem: tens ombros e mãos maiores. Imagino que alguém te faça feliz todos os dias e fico mais feliz por ti. Gostava que nos tívessemos abraçado. Devíamos isso à nossa história: fazíamos um par giro nas duas únicas fotos que sobraram.

Ia aproveitar isto para te pedir um favor. Se logo à noite na tranquilidade do espelho da casa de banho ele se aproximar de ti para te dizer coisas, por favor, manda-lhe um abraço meu.

domingo, maio 24, 2009

Mistake

Para que fique em acta, eu deixei de gostar do Rogério Nuno Costa desde ontem, quando descobri que ele ouvia Avril Lavinha.
(não há desculpa nem remissão de pecados para quem gosta da Lavinha)

terça-feira, abril 14, 2009

Isto é só porque a foto debaixo, não está lá grande coisa

Zuleika, isto foi o que saiu de mais relevante...e tu não leste


Eles são os novos autores do teatro




15.07.2008, Maria José Oliveira

Os Artistas Unidos procuravam novos talentos da dramaturgia nacional. Lançaram o Isto não é um concurso e descobriram três autores. Encenaram as suas peças e integraram-nas no 25º Festival de Almada. Luís, Ana e Inês já não conseguem parar de escrever
Luís Mestre, Ana Mendes e Inês Leitão foram os vencedores do Isto não é um concurso, iniciativa meritória dos Artistas Unidos (AU), que, no ano passado, desafiaram os portugueses, sem limite de idade, a escrever textos dramáticos. As únicas condições eram estas: as peças teriam de ser inéditas e os autores nunca representados. A garantia: os textos vencedores seriam encenados e estreados em Julho deste ano.
Aos Artistas Unidos chegaram cerca de uma centena de textos e coube a uma comissão formada por Jorge Silva Melo, Andreia Bento, António Durães e Miguel Lobo Antunes escolher as três melhores obras. Assim surgiram os nomes de Luís Mestre, Ana Mendes e Inês Leitão.
Ainda antes da fase de ensaios das peças, os novíssimos dramaturgos trabalharam os textos com três “tutores” - José Maria Vieira Mendes, Miguel Castro Caldas e Jacinto Lucas Pires. Depois, seguiu-se o processo mais entusiasmante: a encenação de cada uma das obras para o palco do Instituto Franco-Português, em Lisboa.
Vejamos o cartaz de estreias que integrou o 25º Festival Internacional de Teatro de Almada: Numa certa noite, de Luís Mestre, com encenação de António Simão e interpretação de Cândido Ferreira, Luís Godinho e Sofia Correia (de 4 a 7 de Julho); O lago, de Ana Mendes, dirigida por João Rodrigues, com António Filipe e Custódia Gallego (de 9 a 12); A última história de Werther, de Inês Leitão, encenada por João Meireles e representada por João Delgado, Luís Godinho, Rosa Villa e Sofia Correia (de 15 a 18). O próximo passo é a publicação, na Revista Artistas Unidos, dos textos premiados.
O P2 quis conhecer os autores descobertos pelos AU. Será que ainda vamos ouvir falar muito deles?

(...)

Quem conhece Inês Leitão, 27 anos, lisboeta, está longe de imaginar aquilo que ela escreve. Tem um ar cândido e doce, um sorriso meigo e inocente. Depois, abrimos o seu primeiro livro, Quarto escuro (edições Livro do Dia, 2007), uma colecção de micro-narrativas, e julgamos que nos enganámos. Trata-se da mesma Inês que entrevistámos num café da Baixa de Lisboa? Há textos que começam assim: “O homem que se masturba na janela de vidro do seu T2 alugado às terças-feiras por volta das 22:10″; “Lâminas a rasgar a pele para chamarem sangue: lâminas a gritarem sangue”; ou “A borboleta que lhe poisou nos cabelos trazia ovos nas patas e deu filhos parasitas.” Ela não deixa de surpreender e conta-nos que, em Setembro, as Edições Paulinas vão publicar-lhe uma história infantil, Inesperadamente, com ilustrações de Carla Lobato, que retrata a sua experiência numa missão em Maputo com as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus. Na edição do ano passado do Correntes D’Escrita, na Póvoa do Varzim, ela foi a mais jovem autora presente neste encontro internacional de escritores.
Licenciada em Estudos Anglo-Americanos, Inês escreve com regularidade desde os 19, 20 anos, e tem muitos textos na gaveta. Dois deles, reunidos na Trilogia da obsessão da dor e do amor, chegaram aos Artistas Unidos através do Isto não é um concurso: chamavam-se A última história de Werther e Amor em estado morto (a outra peça que completa a trilogia tem o título Quem tramou António Lobo Antunes?). Tal como Ana Mendes, também Inês enviou as duas peças sem olhar atentamente para elas. “Foi completamente à louca”, diz. Os dois textos foram igualmente pré-seleccionados, mas a escolha acabou por recair em A última noite de Werther. Ela explica porquê: “Tinha uma estrutura definida, um bom enredo e personagens envolventes.” Contudo, ainda era necessário proceder à limagem do texto. Com José Maria Vieira Mendes, o seu tutor, aprendeu a “reler” e a “não deixar a revisão do texto para outra pessoa”. Fez alterações ao nível da linguagem - “tornei-a menos rebuscada” - e tratou de cortar a peça para que a sua duração em palco não ultrapassasse uma hora.
Há muito que Inês queria “fazer algo com este livro” (aponta para uma edição de Werther, de Goethe, que traz consigo na mala). Em A última noite de Werther é a personagem romântica do século XVIII que surge em palco para, nos dias de hoje, “defender um caso de incesto”. A peça chega agora aos palcos, mas a autora está já a pensar nos restantes textos da trilogia. Porque gostaria de ver encenada Quem tramou António Lobo Antunes, peça sobre uma admiradora do escritor que decide raptá-lo. Mas falta tempo a Inês para “trabalhar mais” sobre as suas obras dramáticas. Até porque o seu emprego como secretária de um banco não lhe deixa muitas horas livres para a escrita. Chega a casa “esgotada, sem energia”. Se tivesse mais tempo “acabaria o romance” que já começou a escrever. “Está todo na minha cabeça.”

Público

segunda-feira, abril 13, 2009

When a man makes love to a woman he wants revenge for everything that defeats him in life*

Maputo, 12 de Abril de 1965





"(...) ele salva-me quase todos os dias. Só tenho medo que num desses dias sejam as suas mãos, as suas duas mãos poderosas e salvíficas; as duas, unidas, quentes e carinhosas, a afogarem-me na água fria da banheira(...)


* David Kepesh in Elegy